Pictórica - a exposição / the exhibition

PARA MELHOR COMPREENSÃO, SUGIRO QUE ESTE BLOG SEJA VISTO DE BAIXO PARA CIMA. Registro da mostra que reuniu trabalhos dos artistas Alan Fontes, Ana Paula Torres, André Burian, Décio Noviello, Eduardo Miotto, Erik Fontes, Fernando Lucchesi, Hildelbrando de Castro, João Maciel, Léo Brizola, Leonora Weissmann, Liana Valle, Marco Paulo Rolla, Marco Túlio Resende, Orlando Castaño, Rodrigo Freitas e Selma Andrade, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em abril/maio de 2006.

May 12, 2006

desmontagem da mostra

desmontagem da mostra

dia 11 de maio, durante a desmontagem da mostra

bate-papo com o público

no dia 25 de abril, houve o bate-papo com o público
teatro joão ceschiatti, no palácio das artes (foto de paulo lacerda)

May 06, 2006

bate-papo com alunos da guignard

click sobre a foto para ampliá-la / click on the image to enlarge

alunos da escola guignard visitam a pictórica

click sobre a imagem para ampliá-la / click on the image to enlarge

alunos da escola guignard visitam a pictórica

May 02, 2006

fotos da abertura da mostra


abertura da mostra (fotos de leonardo fontes) click na imagem para ampliá-la / click on the image to enlarge

fotos da abertura da mostra


abertura da mostra (fotos de leonardo fontes) click na imagem para ampliá-la / click on the image to enlarge


abertura da mostra (fotos de eugênio gurgel) click na imagem para ampliá-la / click on the image to enlarge

sexto módulo:
dos padrões e texturas gráficas
acima, lucchesi e luiz henrique; abaixo, luiz h

•Diálogo entre Fernando Lucchesi e Luiz Henrique: ambos atraídos por padrões e texturas gráficas.
•Elaboramos a pintura a partir da sobreposição de camadas de grafismos e ou padrões. O trabalho do Fernando resulta em abstrações. No meu caso, esse campo de padrões e texturas passam a representar um ambiente simbólico (afeto), onde eu insiro a figura.

quinto módulo:
dos signos ancestrais acima, fernando lucchesi e abaixo, marco túlio resende

•Marco Túlio e Fernando Lucchesi - ambos trabalham com resíduos e com investigação e apropriação de signos ancestrais (Lucchesi: fogo e Marco: positivo e negativo, masculino e feminino).
•Marco Túlio Resende cria, a partir da repetição exaustiva e obsessiva de símbolos, uma espécie de alfabeto. Marco é entre todos os participantes da mostra, o artista cuja pintura mais se aproxima de um raciocínio gráfico, preterindo o uso da cor e lançando mão da matéria como o único recurso propriamente pictórico.

May 01, 2006

quarto módulo:
dos que tratam da questão da URBANIDADE

•Décio Noviello, representante do movimento Pop dos anos 60 e 70, mostra trabalhos da série ‘imagem da violência’, onde trabalha as figuras como ícones despersonificados, dentro de simulações geométricas que nos remetem a traçados urbanos.
•André Burian também faz referência a questão da urbanidade, criando uma simulação de trilhas urbanas e resíduos de luminosos, placas publicitárias e outdoors.
•Dentro do mesmo grupo, está inserida a obra de Eduardo Miotto (porto alegre) – seu trabalho nos remete ‘a linguagem publicitária dos cartazes, etc.

Sub-módulo - As paisagens
•Orlando Castaño, Liana Valle Rodrigo Freitas e Erik Fontes mostram paisagens. Liana nos mostra a paisagem urbana idealizada por um olhar lúdico e bem-humorado. Já o Rodrigo, apresenta duas paisagens urbanas desoladas, descoloridas e solitárias, onde, sempre se faz clara, a busca e definição de trilhas a serem percorridas. Erik mostra abstrações expressionistas de paisagens urbanas. Na mesma sala, como conta-ponto, Castaño mostra uma paisagem campal, trabalhando a luz, a cor e superfície aos moldes românticos do século XIX .


rodrigo freitas, acima e erik fontes, abaixo

burian e décio noviello
andré burian

acima, liana valle e eduardo miotto trabalho de orlando castaño

trabalhos de alan fontes e selma andrade, artistas que compõem o
terceiro módulo:os interiores
acima: selma andrade - abaixo: alan fontes

segundo módulo:
composto por trabalhos dos artistas:
marco paulo rolla

joão maciel
leo brizola

primeiro módulo:
•Ana Paula Torres •Leonora Weissmann •Hildebrando de Castro
trabalho de hildebrando de castro
trabalho de leonora weissmann
trabalho de ana torres

Seis grupos compõem a mostra:

•os retratos
•os psicológicos
•os interiores
•da questão da urbanidade
•da apropriação de signos ancestrais
•dos padrões e texturas gráficas.

.

A pintura na era da imagem técnica
Lo spirito non ha voce, perché dov´è voce è corpo.
Leonardo

Os recentes debates sobre o retorno da pintura e a série de exposições The Triumph of Painting, organizada pela Saatchi Galery em Londres, a mesma que outrora lançara os artistas de Sensation, colocaram em foco, novamente, a imagem pintada. Poderíamos nos perguntar se essas mostras não correspondem a uma jogada de marketing, afinal o colecionador Charles Saatchi é sócio fundador de uma das maiores agencias de publicidade no mercado global, a Saatchi & Saatchi. Seria possível, também, pensar nas demandas de um mercado cada vez mais conservador, avesso às pretensas inovações da arte dos últimos anos. Afinal, todos sabem que a procura por pinturas nunca cessou, apesar do que as tendências da arte decretassem.
Por outro lado, a plena aceitação da fotografia como arte serviu para esclarecer as imprecisões do meio como depositário de memória da memória. A memória, reminiscência de um passado vivido ou imaginado, é aberta, lacunar, emotiva, afetiva, manipulável. A precisão das imagens técnicas entraria, assim, em conflito com os modos de os homens lembrarem, pois as imagens “indiscutíveis” e nítidas da fotografia não se constituiriam como veículos eficientes para a memória. As imagens pintadas com sua sensualidade material, tátil, identificar-se-iam melhor com as nuanças tonais da memória humana. As deficiências da imagem pintada — ausência de veracidade e conseqüente falta de autoridade testemunhal — lhe permitiriam ativar, através de uma rede de conexões, as imagens residuais que habitam a memória do espectador.
Enquanto a imagem técnica presume captura do instante e identidade indicial com o real, a imagem pintada insiste em perseguir uma constante indefinição, uma perene ambigüidade. O tempo de construção da imagem pintada, feito de riscos, veladuras, empastos, pentimentos, é de longa duração e, como tal, exige do espectador idêntico tempo de assimilação e decantação.
Nesse sentido, não há melhor metáfora da pintura que O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde. Somente uma imagem pintada, com toda a sua duração temporal, poderia encarnar a perversa mudança do protagonista. O “isso foi” da fotografia permitiria, apenas, obter e manter imutável o instante passado.

Pintar na era da imagem técnica, então, significa pintar num mundo completamente permeado por imagens fotográficas, videográficas, digitais. Um mundo de aparências desconexas e incoerentes no qual a realidade é percebida como um fluxo imagético intermitente e interminável. Atravessada por esse fluxo, a pintura desta era só poderia ser pictórica, ao reivindicar para si, numa forma de engajamento, o virtuosismo da técnica, o poder emotivo da imagem, a supressão, por transgressão, dos paradigmas da alta e baixa cultura e, por fim, o apelo à comoção de todos os sentimentos: da delicadeza do prazer aos abismos da abjeção.

Texto escrito por Maria Angélica Melendi, para ser publicado no catálogo da Pictórica



Com cara de arte - 10/04/06

Mostra ‘Pictórica’, que será aberta hoje em duas galerias do Palácio das Artes, retoma a importância da pintura figurativa entre artistas brasileiros de várias gerações

Walter Sebastião (Caderno de cultura /Jornal Estado de Minas)

Pinturas, no plural mesmo. Realistas, alegóricas, românticas, simbólicas, abstratas. É assim a exposição Pictórica, que vai ser aberta hoje, às 20h, nas galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta. Vão ser mostrados trabalhos de Alan Fontes, Ana Paula Torres, André Burian, Décio Noviello, Eduardo Miotto, Erik Fontes, Fernando Lucchesi, Hildelbrando de Castro, João Maciel, Léo Brizola, Leonora Weissmann, Liana Valle, Marco Paulo Rolla, Marco Túlio Resende, Orlando Castaño, Rodrigo Freitas e Selma Andrade.

“A mostra é realização de um velho sonho de ver uma exposição mostrando os vários caminhos da pintura, que reunisse vários pintores, de diferentes gerações”, conta Luiz Henrique Vieira, pintor, participante e curador da exposição. A idéia, conta Luiz Henrique Vieira, surgiu a partir de convite para auxiliar na organização de exposição que cobrou dele pesquisa sobre o assunto e até viagens a outros estados em busca de jovens autores, deixando o desejo de organizar evento que apresentasse algo diferente, novo, além do mostrado na programação habitual do circuito. O resultado, explica, sinalizou que a prática da pintura anda às voltas com os mais diversos caminhos. Como por exemplo, observa o curador, o interesse pela figuração, em vários registros: do naturalismo (“ainda que de clima onírico”) até ilustrações despretensiosas do cotidiano; de imagens movidas pelo humor cáustico, debochado e desconcertante ao uso da metalinguagem, passando pelo resgate de motivos como o retrato e a paisagem. “É a figuração como instrumento de investigação do humano, mais próxima da compreensão do espectador, com gosto pelo uso da cor, das matérias, do desenho, mas que é algo mais do que demonstração de nossas habilidades”, observa Luiz Henrique Vieira, dizendo que se trata de apresentar visões lúdicas, dramáticas, debochadas e afetivas sobre motivos como o cotidiano, a solidão, o erotismo, a cidade, a morte, o feminino e o masculino.

O curador polemiza com a abstração: “É inútil ficar fazendo pintura abstrata, porque ela se torna decorativa. Ela fica no formal, não é instrumento de investigação filosófica para este momento, quando há necessidade de reflexão. Vê os mesmos motivos nas exposições internacionais que têm aberto espaço para a linguagem pictórica. Para Luiz Henrique a pintura abstrata tende ao decorativo Além da figuração, há outros aspectos da exposição que, para Luiz Henrique Vieira, merecem atenção: “O mais importante é observar a diversidade de possibilidades da pintura atual, tanto no que se refere a temas quanto a técnicas. E observar a técnica, o uso das ferramentas como o pincel, da cor, da luz da superfície, do tratamento dado a pintura. É exercício que depura o olhar”, garante o artista. Esta é a terceira curadoria de Luiz Henrique Vieira (já fez Eu imito quem e Voluta). Ele avisa que a função dá muito trabalho e que nem se considera curador – “sou artista e quero continuar sendo”–, mas que ocupou novamente esse lugar pelo desejo de ver uma exposição deste porte. “O prazeroso foi entrar em contato com os artistas, visitar os ateliês e discutir os trabalhos. Foi um exercício de compreensão”, avalia.

PIONEIRO DO POP - O artista veterano de Pictórica é o mineiro Décio Noviello, de 76 anos. É figura importante da arte de Belo Horizonte, pela visualidade decididamente pop, urbana, de alta definição, praticada pioneiramente. O artista olha com desconfiança o rótulo: “Sou uma pessoa que faz o que sente, não estou em escola pictórica nenhuma”, afirma. Conta que, em 1968, quando realizou seus primeiros trabalhos, nem sabia da existência da pop-art, apenas “usou forma de expressão que estava nos outdoors”, seduzido por linguagem “espontânea e contemporânea” que usou para construir mensagens com desenho e cor. “Eu era um neófito em arte e só depois soube que existia um movimento chamado pop”, recorda. As obras – que ganharam repercussão e foram mostradas em várias exposições de importância – eram trabalhos de denúncia política, ecológica, social, “caminho que segui por intuição”. Tudo no clima de contestação do final dos anos 1960, não fosse o criador das imagens um capitão do Exército. “Era uma situação estranha. No meio militar achavam que eu ficava metido em malandragem e, no meio dos artistas, diziam que eu era um gorila”, explica, valendo-se de terminologia de época, usada por estudantes para definir os policiais. Sobre sua linguagem, conta que, com o passar do tempo, somou pintura e gravura, as duas grandes áreas de sua obra. “A pop-art foi importante para abrir mentes e novas possibilidades para a arte. É uma referência básica para todos que fazem arte contemporânea e mesmo quem faz instalação tem influência do pop”, afirma Noviello. Sobre os trabalhos recentes, explica que além de “esteticamente legais”, são mais sociais, ligados “ao que está acontecendo”, como a violência, situação das crianças, tráfico de drogas etc. Com relação aos artistas que admira, cita companheiros de geração: Raymundo Collares, Antônio Manuel e Lótus Lobo.

PRECONCEITO “O importante da exposição Pictórica é colocar a questão da pintura. É linguagem que o meio de arte contemporânea no Brasil tem tido dificuldade de avaliar, mesmo quando eventos internacionais tentam um novo olhar sobre ela”, afirma Marco Paulo Rolla, artista que há mais de década trabalha com a técnica. Ele lembra de protestos recorrentes de vários artistas, eventos e mostras, que estariam, preconceituosamente, pondo à margem a pintura. O mesmo sentimento é manifestado por vários participantes da coletiva. Mais: “É muito saudável a realização desta exposição Ajuda a abrir os olhos das instituições para que elas façam trabalhos assim. Como uma produção como essa pode ter ficado tanto tempo no armário?”, questiona. Além de participar da mostra, ele anuncia para agosto outro evento dedicado à mesma mídia: Pintura além da pintura, programação do Centro de Experimentação e Informação de Arte (Ceia), do qual é um dos criadores e coordenadores, que prevê seminário, ateliê e ciclo de cinema. “O objetivo é tentar refletir por que existe preconceito contra a pintura num contexto como o da arte contemporânea, que tem se aberto para todas as mídias. A pintura, ainda hoje, é o lugar onde a maioria da arte tira os seus conceitos. Não há como negar que ela é a célula-mãe de inúmeros conceitos até hoje repetidos em outros meios”, completa.

Pictórica Coletiva com 18 pintores, abertura hoje, às 20h, Galeria Genesco Murta e Galeria Arlinda Corrêa do Palácio das Artes, Av. Afonso Pena 1.537, Centro, (31) 3237-7399. Aberta de terça a sábado das 9h às 20h, e domingo das 16h às 20h30. Até 30 de abril. Entrada franca.


A proposta desta exposição surgiu da necessidade de se reunir obras do universo pictórico, com a intenção de se pontuar um momento histórico que volta a valorizar a pintura – categoria que esteve marginalizada dentro dos grandes salões e bienais, durante toda década de noventa.Foi feito um trabalho de pesquisa e seleção de artistas representantes de várias gerações e movimentos estéticos, buscando um amplo leque de temas, técnicas e estilos, com a intenção de se criar um conjunto variado, e, por outro lado, estabelecer diálogos e formar grupos temáticos.


convite da exposição 'pictórica' - galerias genesco murta e arlinda corrêa lima - palácio das artes - belo horizonte - brasil - 10 de abril / 11 de maio de 2006